A Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) voltou a solicitar ao governo federal a revogação da Instrução Normativa (IN) de 2021, que autoriza a importação de cacau da Costa do Marfim, maior produtor mundial. Segundo a entidade, a norma favorece grandes multinacionais e prejudica os produtores brasileiros, além de colocar em risco a segurança fitossanitária do país.
A presidente da ANPC, Vanuza Barrozo, afirmou que a ex-ministra da Agricultura, Teresa Cristina, desconsiderou os produtores locais ao aprovar a medida, beneficiando empresas como Barry Callebaut, Cargill e OFI, que compram cacau diretamente de produtores estrangeiros.
Em 2025, já foram importadas 56,5 mil toneladas de cacau, com previsão de mais 60 mil toneladas até novembro. O influxo de produto estrangeiro, mais barato e frequentemente produzido em condições de exploração, teria provocado queda acentuada nos preços do cacau brasileiro, de R$ 1,2 mil para cerca de R$ 300 por arroba em poucos meses.
Barrozo alerta que os efeitos se estendem aos municípios produtores, especialmente no Sul da Bahia, afetando cidades como Ilhéus e Itabuna, e destaca o sucateamento da Ceplac, órgão técnico responsável pela lavoura cacaueira.
Para reverter a situação, a ANPC busca articulação com os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Carlos Fávaro (Agricultura), além de prefeitos e consórcios municipais, reforçando a necessidade de políticas que priorizem o produtor brasileiro e permitam a expansão sustentável da produção de cacau.



