O silêncio de ACM Neto diante da violência ocorrida na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia expõe o limite da conveniência política. Até a manhã desta sexta-feira (21), ACM não havia condenado a invasão liderada pelo deputado estadual Diego Castro, do PL, nem a agressão praticada por um integrante da segurança do parlamentar contra Tobias Muniz, presidente do Centro Acadêmico Vladimir Herzog. Também permaneciam calados o candidato a vice-governador Zé Cocá e o candidato ao Senado Angelo Coronel. Para uma chapa que promete “mudança com segurança”, faltou segurança justamente quando o tumulto partiu de dentro do próprio palanque.
Diego entrou na Facom acompanhado de assessores e seguranças para retirar adesivos políticos encontrados no prédio. A ação interrompeu a recepção dos novos estudantes e terminou em confronto. As imagens registram um integrante de sua equipe lançando Tobias Muniz contra uma parede. O estudante ficou ferido, realizou exame de corpo de delito e registrou boletim de ocorrência. A UFBA classificou o episódio como ato de violência, intimidação e desrespeito, acionou as polícias Federal e Civil e pediu providências à Assembleia Legislativa.
A eventual irregularidade da propaganda não autorizava Diego a invadir o prédio, arrancar material ou comandar uma operação de força. O poder de polícia sobre propaganda eleitoral pertence à Justiça Eleitoral. Cabia ao parlamentar reunir provas e apresentar uma denúncia. Foi exatamente esse o caminho apontado por João Roma, presidente estadual do PL e candidato ao Senado na chapa de ACM. Roma, porém, relativizou a responsabilidade do aliado no episódio.
Diego tampouco representa um caso isolado entre os aliados de ACM. Em julho, o também deputado estadual Leandro de Jesus, do PL, arrancou diante das câmeras uma placa de inauguração da BA-649, no sul da Bahia, alegando que a obra não estava concluída. Mais tarde, depois de outra incursão no canteiro da Ponte Salvador–Itaparica, a Justiça impôs restrições às suas visitas a obras estaduais.
O vereador Sandro Filho, aliado de ACM e candidato a deputado federal, adotou roteiro parecido ao comparecer a uma manifestação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Centro Administrativo da Bahia. Ele acusou os manifestantes de terrorismo e afirmou ter sido agredido, enquanto imagens divulgadas pela imprensa pareciam mostrar o próprio vereador lançando um objeto durante a confusão. Diego também já havia sido acusado de entrar na área de hemodiálise do Hospital Geral Roberto Santos durante o atendimento dos pacientes. Repetem-se a invasão apresentada como fiscalização, o tumulto vendido como coragem e a tentativa de transformar qualquer reação em prova de perseguição.
Essas práticas lembram os métodos adotados pelos simpatizantes do ditador italiano Benito Mussolini a partir da década de 1920. Seus grupos invadiam universidades, sindicatos, redações e sedes partidárias, destruíam símbolos, intimidavam adversários e provocavam confrontos para depois posar como defensores da ordem. A violência era também espetáculo: precisava ser vista e narrada para fabricar inimigos e alimentar a mobilização política. Um século depois, a chegada em grupo, a câmera preparada, o tumulto calculado e a posterior encenação de vítima mantêm aquela velha estratégia em circulação.



