Em maio de 2026, esse descompasso entre nome e realidade clínica foi oficialmente reconhecido em um consenso internacional publicado no The Lancet: a SOP passou a ser chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina, ou SOMP. Em inglês, a sigla adotada foi PMOS – Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome. Para o Dr. Arthur Victor de Carvalho, a mudança era necessária há muito tempo. “O nome antigo reduzia uma síndrome extremamente complexa a uma imagem de ultrassom. E isso sempre foi um problema, porque levava muitas mulheres a acreditarem que, se não tinham ‘ovários policísticos’, então não poderiam ter a condição.” A atualização da nomenclatura foi construída justamente para corrigir esse tipo de distorção. O nome anterior era considerado inadequado porque colocava o foco em um achado que nem sempre está presente e deixava em segundo plano o que realmente define a síndrome: uma desregulação sistêmica com impacto sobre ovulação, metabolismo, composição corporal, resistência à insulina, pele, cabelos e risco cardiometabólico. O próprio artigo do The Lancet afirma que a antiga terminologia contribuía para confusão diagnóstica, reforçava estigma e dificultava a compreensão da síndrome tanto entre pacientes quanto entre profissionais. No novo nome, cada termo cumpre uma função. “Ovariana” permanece porque a condição continua envolvendo alterações ovulatórias e reprodutivas. “Metabólica” reconhece a associação frequente com resistência à insulina, disfunção glicêmica, ganho de peso e maior risco cardiovascular. Já “poliendócrina” deixa claro que não se trata de um problema restrito a um único órgão, mas de uma desordem que atravessa múltiplos eixos hormonais. Essa reformulação aproxima o diagnóstico daquilo que ele sempre foi na prática, mas nem sempre foi nomeado com clareza.



