A política baiana ganhou novos contornos nesta semana após o anúncio da saída de Niltinho do Partido Progressistas. A decisão, que já vinha sendo ventilada nos bastidores, agora se concretiza e promete provocar uma reconfiguração nas alianças e estratégias eleitorais no estado. Figura conhecida no cenário político de Salvador, Niltinho construiu sua trajetória dentro do PP, consolidando base eleitoral e protagonismo em pautas locais. Sua saída, no entanto, sinaliza não apenas um rompimento partidário, mas também possíveis divergências internas e insatisfação com os rumos da legenda. Nos corredores do poder, a movimentação é vista como um indicativo de mudanças maiores, sobretudo com a aproximação do calendário eleitoral. Lideranças políticas já avaliam os impactos da decisão, enquanto especulações sobre o novo destino partidário do vereador ganham força. A debandada pode desencadear um efeito dominó dentro da sigla, abrindo espaço para rearranjos e novas composições políticas. Para analistas, o movimento de Niltinho reforça o clima de instabilidade e disputa que deve marcar os próximos meses na política baiana. Agora, todas as atenções se voltam para os próximos passos do vereador — e, principalmente, para como essa saída pode influenciar o jogo de forças no cenário político local.
Pós NRF 2026 reúne grande público em Salvador e destaca o presente e futuro do varejo em todo o mundo
O evento Pós NRF 2026 movimentou grande público e lotou o UCI Orient do Shopping Barra na quinta-feira (19). Empresários, gestores, lojistas, representantes de instituições e profissionais do varejo participaram do encontro, que trouxe os principais insights do NRF Retail’s Big Show, maior feira varejista do mundo, que ocorre todos os anos em Nova York, nos Estados Unidos. A abertura contou com a palavra de todos os representantes das entidades realizadoras, que deram as boas-vindas ao público e reforçaram a importância da iniciativa para o fortalecimento do varejo baiano. O presidente da CDL Salvador, Alberto Nunes, reforçou o papel do evento na disseminação de conhecimento e atualização do varejo baiano. Na primeira palestra, a diretora comercial da Cielo, Marília Prado, apresentou reflexões sobre as transformações do setor ao longo das últimas décadas, destacando que muitas tendências já são realidade, por conta da velocidade dos acontecimentos. Segundo ela, o grande desafio das empresas é acompanhar as mudanças e se adaptar para conquistar a preferência do consumidor, que está cada vez mais exigente e menos paciente. “É fundamental garantir fluidez nos pagamentos, acompanhar o avanço da inteligência artificial dentro das operações, utilizar dados de forma estratégica e consolidar o omnichannel. O Pix também tem um papel importante na inclusão financeira, assim como conceitos como pagamento invisível e pagamentos agênticos. No fim, os dados são essenciais para apoiar a tomada de decisões”, ressaltou Marília durante apresentação. Na sequência, o diretor de negócios da Rede Bahia, Guilherme Séder, trouxe uma análise sobre comunicação e comportamento do consumidor. Ele destacou que as marcas não competem apenas entre si, mas pela atenção das pessoas em um cenário de fragmentação da mídia e consumo multitarefa. “A atenção do público está cada vez mais limitada, com pessoas alternando entre dispositivos e seguindo uma jornada não linear. Por isso, é fundamental que as marcas estejam presentes em múltiplos canais. Além disso, tendências como o DTV+ apontam para uma nova experiência de consumo, enquanto conceitos como brand safety e a redução da fadiga de anúncios são essenciais para melhorar a conversão”, afirmou Guilherme Séder. Encerrando a programação, o especialista em inovação Fred Alecrim destacou que 2026 é o ano da consciência aplicada, alertando para a necessidade de diferenciar tendências, pendências e urgências no varejo. Ele ressaltou a importância de evitar embarcar de cabeça em modismos e compreender as transformações com cautela, além de analisar o comportamento das diferentes gerações no processo de compra. Fred também apresentou uma linha do tempo das tendências globais do varejo, mostrando como muitos temas são reciclados ao longo dos anos, e destacou o papel crescente do ponto de venda como ponto de vida, utilizando exemplos de como as lojas estão se reinventando em todo o mundo. “É fundamental acompanhar os hábitos de consumo, investir em experiência, atendimento e inovação, e ir além do produto para aumentar a permanência e a frequência do cliente. Hoje, vemos o crescimento de comunidades de consumo, o protagonismo das lojas físicas, que ainda concentram 82% das vendas, e o uso da inteligência artificial em diversas frentes para transformar o varejo”, declarou. Dedicado a empresários, lojistas, associados, parceiros, convidados e representantes de lojas e associações, a Pós NRF 2026 foi uma realização da FCDL Bahia, CDL Salvador, Fecomércio BA, Sebrae, Associação Comercial da Bahia, Shopping Barra e Associação dos Lojistas do Shopping Barra (ALSBarra).
ACB debate impactos do VLT e reforça atuação na agenda de mobilidade urbana
Durante a sessão plenária da Associação Comercial da Bahia (ACB), realizada nesta quinta-feira (19), lideranças empresariais acompanharam uma palestra sobre o andamento das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), reforçando a mobilidade urbana como eixo estratégico da entidade. O presidente da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), Eracy Lafuente, destacou o projeto como um “vetor de desenvolvimento socioeconômico” para Salvador. Em sintonia com o tema, a ACB anunciou o lançamento da Câmara de Urbanismo, ainda sem data definida, sob coordenação da arquiteta e urbanista Kátia Carmelo, ampliando sua atuação em mobilidade, planejamento urbano e requalificação de áreas estratégicas da capital. Durante a explanação, o VLT foi apresentado como um equipamento estratégico de transformação urbana, com capacidade de integrar regiões historicamente desconectadas, como Comércio, Calçada, Subúrbio Ferroviário e Ilha de São João. O sistema, que prevê a substituição do antigo trem do subúrbio por um modal moderno, sustentável e integrado, deve reduzir o tempo de deslocamento, ampliar o acesso ao transporte público de qualidade e impulsionar a ocupação urbana ao longo do seu trajeto. A presidente da ACB, Isabela Suarez, destacou a importância da iniciativa, mas reforçou a necessidade de ampliar o diálogo com o setor produtivo. “A gente recebe com entusiasmo uma obra dessa magnitude, mas é fundamental discutir de que forma o comércio pode se beneficiar diretamente dessas intervenções, especialmente em um cenário de alta vacância e desafios de segurança pública no Centro Antigo”, afirmou. Isabela também chamou atenção para o potencial de integração com a economia do mar. Entre as sugestões apresentadas estão a revitalização de estaleiros artesanais, o fortalecimento da atividade pesqueira e a criação de estruturas que incentivem o turismo e o esporte náutico na Baía de Todos-os-Santos. A dirigente defendeu a criação de píeres e conexões que permitam o deslocamento por embarcações, conectando Salvador ao Recôncavo e ampliando o fluxo de pessoas para comércio, serviços e turismo. “Pensar na integração entre barco, metrô e VLT é estratégico para trazer o público da Baía de Todos-os-Santos para dentro da cidade, não só para trabalho, mas também para consumo e lazer”, pontuou. A reunião também abriu espaço para reflexões sobre o ordenamento urbano e o aproveitamento de áreas públicas ao longo do trajeto do VLT, com a proposta de transformar imóveis ociosos em espaços produtivos, contribuindo para a reocupação do Centro e o aumento da segurança. Associativismo como força do setor produtivo Além da mobilidade, o encontro abordou temas como a proposta de mudança na escala de trabalho 6×1, os impactos tributários sobre micro e pequenas empresas e a necessidade de maior segurança jurídica, principalmente para as empresas enquadradas no Simples Nacional. O debate evidenciou a preocupação do setor produtivo com decisões que podem afetar diretamente a competitividade, o nível de emprego e a sustentabilidade das empresas, especialmente em um cenário de alta carga tributária e desafios estruturais da economia brasileira.“Todas as medidas que impactam o setor precisam ser discutidas com quem paga a conta”, afirmou Isabela Suarez. Para o presidente do Conselho Superior da ACB, Paulo Cavalcanti, o momento exige mais do que posicionamento: demanda articulação. Segundo ele, o fortalecimento do associativismo é essencial para garantir que a classe empresarial tenha voz ativa nas decisões que impactam o ambiente de negócios. “Os empresários precisam entender que, isolados, não conseguem atingir seus objetivos. É por meio das associações que a classe produtiva se organiza, ganha força e consegue representar seus interesses”, afirmou. Cavalcanti destacou ainda que pautas como a escala 6×1 e as mudanças tributárias precisam ser debatidas de forma estruturada e coletiva. “Não existe democracia que se sustente sem uma classe empresária organizada. Quando o setor produtivo se une, fica mais forte para dialogar e influenciar decisões que impactam toda a sociedade”, concluiu.


