Agricultores denunciam a contaminação de lavouras e áreas de moradia no semiárido baiano causada por pulverização de agrotóxicos com uso de drones. Levantamentos comunitários, registros fotográficos e relatos colhidos entre produtores e moradores dos municípios da região da Bacia do Jacuípe apontam para aplicações realizadas sem aviso prévio, em condições de vento e temperatura adversas, com prejuízos para áreas vizinhas — incluindo destruição de hortas familiares, plantações com objetivos comerciais, apiários e até de propriedades que investiam em certificação para produção orgânica. “Recebemos relatos de pessoas com quadros de mal-estar, náuseas, dores de cabeça no município, sem falar nas perdas financeiras das colheitas poucos dias após aplicações desse veneno nas áreas vizinhas”, denuncia uma das lideranças que atua na defesa dos trabalhadores rurais da região que prefere não ser identificado, assim como as fontes entrevistadas in loco que relataram preocupação com a saúde e perdas significativas com o uso indiscriminado de agrotóxicos. É o caso de produtores de hortaliças orgânicas. “Eu todo empenhado na conquista do selo orgânico, vi minha plantação ser afetada pelo uso de agrotóxicos com drone a aproximadamente quinhentos metros de distância das minhas terras. No dia seguinte, as hortaliças estavam murchas”, relata o agricultor que estima perda direta de R$ 8 mil. “Até o momento, o vizinho não se negou a cobrir os prejuízos, mas o sonho de conquistar o selo orgânico ficou enterrado. Como vou ter um selo de um produto que não é mais limpo?”, questiona. Riscos à saúde e ao ambiente Pessoas idosas de outra região atingida convivem com o mesmo sentimento de revolta. A plantação que alimenta e ajuda no sustento da família secou no dia seguinte à aplicação de agrotóxicos por um vizinho latifundiário. “O drone chegou aqui bem perto. Passei mal com aquele bafo, um cheiro forte. Tive dor de cabeça o dia todo… Vi a hora do veneno me matar, só melhorei depois que tomei dois copos de leite”, conta mostrando as plantas amareladas, com frutos mirrados e outras que murcharam até morrer. “Esse mesmo vizinho já tinha aplicado com bomba nas costas, mas agora – com drone – foi muito pior. O vento espalhou o veneno, prejudicando nossa plantação por completo”. Há relatos indignados de quem teve que se contentar com o valor irrisório de R$ 200 como ressarcimento pelos danos. “Ele ainda queria pagar só R$150. Disse que, se eu não quisesse aceitar, fosse buscar meus direitos na Justiça”. Na mesma região, outros dois produtores foram afetados a quilômetros de distância da área foco da aplicação por drone. Um dos produtores rurais perdeu a maior parte do que colheria na pequena horta de melancia, macaxeira e feijão de corda. “Não dá para viver só da aposentadoria. A gente planta para sobreviver. Meu prejuízo foi grande e eu nunca consegui falar com ele (o vizinho)”. Outro produtor, que tem quatro tarefas de área plantada de melancia e com investimento em irrigação, estranhou o ruído no dia da aplicação, mas só entendeu que se tratava de drone espalhando agrotóxico quando viu a devastação no dia seguinte. “Molhamos, adubamos para ver se reagia e nada. Em poucos dias, perdemos a roça toda”, lamenta, lembrando que, em anos anteriores, já chegou a colher quatro caminhões de melancias, as mais selecionadas destinadas ao mercado de São Paulo. “Só nesta área afetada, se for calcular o investimento em irrigação, adubo, semente, mão de obra e o que deixamos de vendar, dá mais de R$ 6 mil. Nem chegamos a dar queixa porque quando a gente reclama, eles sempre alegam que baterem o produto nas terras deles e dentro das normas”. Diante da falta de fiscalização e atuação dos órgãos competentes, o problema tem se agravado, mas não é novo na região. “Há mais de dois anos, tivemos noticias de um produtor da região e viu sua plantação morrer toda, de um dia para outro, após o uso do veneno. A tristeza foi tanta que teve um enfarto e morreu”, denuncia uma das lideranças da região da Bacia do Jacuípe. O questionamento que não quer calar é por que populações agrícolas nos países em desenvolvimento estão sendo expostas a quantidades crescentes de misturas de herbicidas em altas concentrações e frequência, incluindo pesticidas severamente restringidos e proibidos nos países europeus. “Se são servem para eles, porque o uso é permitido aqui?”, indaga. Estudos sobre o impacto ambiental do uso indiscriminado destes compostos de herbicidas e a necessidade de fiscalização estão na pauta de reivindicação da comunidade. “O uso de pesticidas não pode ter carta branca no semiárido. Nós que tanto lutamos por água, estamos assistindo nossas nascentes e lagos artificiais serem contaminados. Como vamos poder dizer nossos produtos são orgânicos?”. Em defesa das regras de proteção à saúde, à água e à biodiversidade, o clamor local é pela atuação do Ministério Público, Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB/BA), Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA/BA), Vigilância Sanitária e outros órgãos agrários.
ExpoFeira vai sediar Curso de Apicultura
Reforçar a importância da atividade apícola e o fortalecimento da cadeia produtiva do mel e demais produtos de abelhas na Bahia. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) em parceria com a Adab realizará, de segunda-feira (8) até sexta-feira (12), o Curso de Apicultura, durante a 46ª ExpoFeira, no Parque de Exposições João Martins, em Feira de Santana. Uma parceria da instituição com a Agência Estadual de Defesa Agropecuária (Adab). O treinamento é direcionado a médicos veterinários, engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas da Adab e visa o nivelamento de conhecimento entre os profissionais, abrindo espaço para troca e aprendizado e fortalecendo o trabalho de prevenção, controle e manejo sanitário das colmeias no estado. “O objetivo é ampliar o conhecimento técnico da equipe sobre apicultura, principais doenças das abelhas e aspectos sanitários relacionados à atividade”, explica a médica-veterinária da Adab e coordenadora do Programa Nacional de Sanidade das Abelhas, Luciana Ávila.
Ki-Mukeka é inaugurado no Shopping Paralela
13ª unidade do restaurante está localizada no piso L2 do centro de compras e oferece mais de 30 opções de pratos Com mais de quatro décadas de história, o Ki-Mukeka inaugura mais um restaurante em Salvador, desta vez no Shopping Paralela. O novo point gastronômico chega ao centro de compras no piso L2 com a sua versão express, apresentando mais de 30 opções de pratos cheios de sabor, baianidade e tradição. Já em pleno funcionamento e gerando cerca de 30 empregos diretos, o restaurante chegou com um visual repaginado, mais moderno, instagramável, despojado e com conceito aberto, tudo para deixar o cliente bem à vontade. “Estamos felizes com essa chegada no Shopping Paralela. Foi um grande desafio fazer acontecer, mas ficou exatamente como queríamos. O melhor de tudo é que conseguimos atender a expectativa do público, pois a receptividade dos nossos clientes foi bem positiva”, celebra Cândida Santos, sócia do Ki-Mukeka. Uma das novidades que o Ki-Mukeka vai inaugurar em breve é o happy hour, que contará com petiscos, cerveja gelada e promoções. Outro novo serviço que chega em breve é o delivery. “Ao longo desses anos, conseguimos nos tornar referência em qualidade e serviço. Por esse motivo, vamos introduzir essas novidades para atender o cliente da melhor forma, fortalecendo nossa presença de marca à noite e também nas casas das pessoas”, explica Aislan Santos, sócio do Ki-Mukeka. “A chegada do Ki-Mukeka reforça a proposta do Shopping Paralela de oferecer uma experiência completa para o nosso público, unindo em um só lugar serviço, lazer e gastronomia de qualidade. É uma marca tradicional da Bahia que agrega ainda mais valor ao nosso mix de lojas”, destaca o gerente de marketing, Gabriel Araújo. Com a inauguração da nova unidade no Shopping Paralela, a rede de restaurantes soma agora 13 unidades, na Bahia, São Paulo e Distrito Federal. Entre os pratos que chamam a atenção dos clientes, o carro-chefe é a tradicional Mukeka de camarão. Outro prato que é novidade e vem se destacando é a Mukeka Salvador, que é feita de camarão, catupiry e mussarela, além de arroz branco e farofa de banana. Já para quem busca petiscos ou sobremesa, quem também chama a atenção é o pastel de siri, que vem acompanhado de três variações de molho agridoce. E, por fim, para finalizar a refeição, o petit gâteau de doce de leite com sorvete de coco, finalizado com cocada de tabuleiro da baiana, é a pedida que não pode faltar.
Semana de Medicina Veterinária debate Saúde Única e reforça papel do veterinário na saúde pública
Atividades marcam o Dia do Médico Veterinário e destacam a importância da profissão na prevenção de doenças De 08 a 10 de setembro de 2025, o Centro Universitário Estácio realiza a primeira edição da Semana de Medicina Veterinária, em comemoração ao Dia do Médico Veterinário (09/09). O evento acontece no Campus Gilberto Gil – Polo STIEP, em Salvador, com entrada gratuita e aberta a estudantes de outras instituições de ensino. Com o tema “Saúde Única”, a programação reúne palestras sobre zoonoses e saúde pública, destacando a importância da atuação integrada entre saúde humana, animal e ambiental. A proposta é fortalecer o papel do médico veterinário na prevenção e controle de enfermidades, contribuindo de forma direta para a saúde coletiva. Segundo a cooperação do curso, que iniciou suas atividades em março deste ano, a iniciativa busca aproximar estudantes de profissionais renomados da área, além de oferecer à comunidade uma oportunidade de atualização e troca de conhecimentos. “Nosso curso é recente, mas queremos desde já fornecer experiências práticas e contato com especialistas de referência. A Semana de Veterinária é também uma forma de aproximar a comunidade acadêmica e externa da importância do médico veterinário para a saúde pública”, destaca Tatiane Almeida Viana, coordenadora do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Estácio. As inscrições podem ser realizadas até dia 7 de setembro, mediante a doação de um saco de ração. Durante o evento, serão entregues as instituições de proteção animal as rações arrecadadas nas inscrições, reforçando o compromisso do Centro Universitário Estácio com a causa animal e incentivando práticas responsáveis de cuidado e acolhimento. Serviço– O quê: 1ª Semana de Medicina Veterinária do Centro Universitário Estácio – Tema: Saúde Única– Quando: 08 a 10 de setembro de 2025– Onde: Campus Gilberto Gil – Polo STIEP, Salvador– Quanto: Gratuito, aberto a estudantes da Estácio e de outras instituições– Como: Inscrição para palestras .
Conselho de Ética da Câmara municipal arquiva denúncia contra vereador Claudio Tinoco
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Salvador decidiu, nesta quarta (3), arquivar, por inadmissibilidade, a denúncia apresentada contra o vereador Claudio Tinoco (União). O processo teve origem em uma Notícia de Fato registrada por Alê Okan Conceição Nascimento junto à 1ª Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público da Bahia. No documento, o autor solicitava a apuração de supostos atos de violência política de gênero e raça contra a vereadora Eliete Paraguassu (PSOL). O Ministério Público encaminhou o ofício ao Conselho de Ética, que analisou a admissibilidade da matéria. Não houve representação interna na Câmara. Na reunião da quarta-feira, o colegiado avaliou que a denúncia não reunia elementos para ser admitida e seguiu o parecer do presidente da Comissão de Ética, vereador Alexandre Aleluia (PL), pelo arquivamento. Em sua resposta, o vereador Claudio Tinoco entregou uma defesa com 76 páginas, incluindo a declaração de 30 vereadores (29 colegas e o próprio parlamentar) que estavam presentes na sessão em questão. Todos confirmaram a inexistência de qualquer fala racista, misógina ou discriminatória, como reforçou Tinoco. A manifestação, com apoio de uma maioria qualificada do plenário, deu substância à conclusão de que a denúncia era improcedente. Tinoco também destacou que a própria ata da sessão, lida e aprovada pela vereadora denunciante, não registrou qualquer ofensa. “Desde o início, afirmei que a denúncia era infundada e apresentei defesa consistente, com testemunhos que comprovam isso. Recebo a decisão com serenidade e sigo, como sempre estive em meus mandatos anteriores, concentrado no trabalho que a população de Salvador espera de mim”, afirmou Tinoco.
Plantio no Viveiro de Restinga de Praia do Flamengo fortalece preservação ambiental em Salvador
Salvador se prepara para mais uma ação de preservação ambiental promovida pela Prefeitura, que acontece neste sábado (6), às 9h, com um grande plantio comunitário no Viveiro de Restinga, localizado na Praia do Flamengo, ao lado do módulo policial. A iniciativa busca fortalecer a relação entre a comunidade e o meio ambiente, promovendo a restauração de um ecossistema fundamental para a proteção da orla da cidade. A atividade acontece por meio de uma parceria entre a Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis) e a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), com o apoio da Associação de Moradores Flamaris. A ação pretende mostrar à população que a restinga não é apenas um espaço verde, mas uma barreira natural contra o avanço do mar e também abrigo para espécies nativas, como a coruja-buraqueira, que mantém ninhos há anos na região. De acordo com o titular da Secis, Ivan Euler, o evento vai além de um mutirão de plantio. “A ação deste sábado no Viveiro é um passo concreto na construção de uma relação mais forte entre comunidade e meio ambiente. É maravilhoso ter a oportunidade de receber a comunidade aqui para podermos mostrar o funcionamento deste equipamento. Nosso objetivo é que cada muda plantada seja também uma semente de consciência ambiental. A presença dos moradores é o que dá sentido e força ao projeto”, destacou. O diretor do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) Salvador, Iuri Mattos, reforçou a relevância do Viveiro dentro do trabalho da Secult. “É muito gratificante ver o Viveiro de Restinga produzindo mudas e fazendo a revegetação das nossas áreas costeiras. Recuperar a restinga é devolver vida às nossas praias e mostra o quão importante foi a construção desse equipamento na requalificação da Praia do Flamengo, obra estruturante do Prodetur, da Secult, fortalecendo de forma sustentável o turismo de sol e praia”, declarou. Já a presidente da Associação de Moradores Flamaris, Melissa Serbake, ressaltou a importância do envolvimento popular. “É imprescindível aproximar a comunidade do projeto, não só para conhecer a sede, mas, acima de tudo, praticar a educação ambiental. Trazer os moradores para plantar mudas de restinga é a oportunidade de explicar a importância desta vegetação na beira-mar e o impacto contra a erosão. Desejamos que, ao término deste evento, novos sejam realizados, pois temos muitas áreas de restinga para recuperar em nosso bairro. Parabéns à Prefeitura por este movimento; pequenas ações, grandes impactos”, afirmou.
Governo da Bahia ultrapassa marca de 1.000 novas viaturas a SSP
A Governo do Estado ultrapassa a marca de 1.000 novas viaturas empregadas nas Forças da Segurança Pública em 2025 com a entrega de 120 veiculos. Em pouco mais dois anos e oito meses, 6.109 novos carros, motos, embarcações e helicóptero foram entregues, ampliando as ações ostensivas, de inteligência e de resgate em toda a Bahia. Mais de R$ 23 milhões foram empregados nos 120 veículos que serão direcionados em iniciativas na capital e em municípios da Região Metropolitana de Salvador, além de ofertar suporte às equipes de comunicação direcionadas para o interior baiano. O secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner, lembrou que a renovação e ampliação da frota são imprescindíveis na garantia das ações de prevenção à violência. “Nos últimos dois anos e meio modernizamos as Forças Policiais e de Bombeiros, com os investimentos em novos equipamentos, visando a redução do tempo de atendimento para a população”, destacou Werner. Entre as unidades policiais beneficiadas estão os Batalhões de Polícia de Pronto Emprego Operacional (BPEO), de Policiamento Escolar (BPEsc), de Operações Policiais Especiais (Bope), de Polícia de Choque (BPChq), de Patrulhamento Tático Móvel (Bpatamo), Grupamento Aéreo da PM (Graer), do Comando de Policiamento de Missões Especiais (CPME) e das Companhias Independentes de Polícia Militar da Barra (11ªCIPM), Ondina (12ªCIPM), Pituba (13ªCIPM/), Itapuã (15ªCIPM), Brotas (26ªCIPM), Iguatemi (35ªCIPM), Boca do Rio e Imbuí (39ªCIPM), Nordeste de Amaralina (40ªCIPM), Federação (41ªCIPM), São Cristóvão (49ªCIPM), Cosme de Farias (58ªCIPM), Lobato (14ªCIPM), Comércio (16ªCIPM), Uruguai (17ªCIPM), Periperi (18ªCIPM), Paripe (19ªCIPM), Barbalho (2ªCIPM), Valéria (31ªCIPM), Liberdade (37ªCIPM), Pirajá (9ªCIPM), Pernambués (1ªCIPM), Tancredo Neves (23ªCIPM), Pau da Lima (47ªCIPM), Sussuarana (48ªCIPM), Sete de Abril (50ªCIPM), CAB (82ªCIPM), Lauro de Freitas (52ªCIPM), Lauro de Freitas/Itinga (81ªCIPM), Mata de São João (53ªCIPM), Pojuca (32ªCIPM), Batalhões de Polícia Militar do Centro Histórico (18ºBPM) e de Cajazeiras (22ºBPM), além do Comando de Policiamento da Região Metropolitana. Viaturas também serão empregadas nos Centros Integrados de Comunicações (CICOMs) de Barreiras, Euclides da Cunha, Guanambi, Juazeiro, Paulo Afonso, Porto Seguro, Santa Maria da Vitória e Teixeira de Freitas.
Bienal do Lixo estreia em Salvador com obras de arte feitas a partir de resíduos e ações de conscientização ambiental
Pela primeira vez em Salvador, a Bienal do Lixo foi aberta nesta quinta-feira (4), no Farol da Barra, ocupando um dos cartões-postais mais conhecidos da capital baiana com obras de oito artistas que transformam resíduos, de todos os tipos, em peças de arte. Além da exposição, o evento traz oficinas, mostras de cinema, desfiles de moda com roupas recicladas, painéis de diálogo e atividades educativas para públicos de todas as idades. A mostra, que une cultura e educação ambiental, é gratuita e vai até o próximo domingo (7). A Bienal do Lixo é apoiada pela Prefeitura de Salvador, através das secretarias de Cultura e Turismo (Secult) e de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis). A expectativa dos organizadores é atrair mais de 20 mil visitantes ao local. Para a vice-prefeita e titular da Secult, Ana Paula Matos, a Bienal propõe usar a arte a serviço da transformação positiva da sociedade. “Hoje abrimos esse espaço onde criatividade e informação se unem para explicar a força do nosso impacto e da nossa responsabilidade sobre o destino dos nossos resíduos. A gente não está falando de lixo como algo sem valor, mas na verdade de resíduos, algo que pode ser reprocessado, reorganizado, melhorando e se tornar sustentável, gerando também riqueza econômica e social para essa cidade”, pontuou. Após participar do evento em São Paulo, estado pioneiro na iniciativa, o titular da Secis, Ivan Euler, destacou a importância da capital baiana também receber a Bienal. “Havia o desejo da organização de vir ao Nordeste, então a gente trouxe para Salvador. É uma pauta importante para a cidade e para o planeta. É preciso discutir a questão dos resíduos. Em um evento como esse, a gente trabalha com a consciência ambiental, educação e envolve os artistas, mostrando que é possível transformar lixo em arte”, destaca. Idealizador e diretor da Bienal, o baiano Mário Frias explica que o evento é essencial na conscientização e na mobilização da sociedade para a importância da economia circular e do consumo responsável. “É repensar o conceito de lixo. Será que existe lixo mesmo ou somos nós que fabricamos um lixo? A Bienal surge a partir desse conceito, de pensar sobre o lixo e criar um espaço onde o poder público, indústrias, patrocinadores e os atores do mercado que transformam resíduos em arte possam dialogar”, destaca. Ações – Presente no evento, o Projeto Refoliar promoverá oficinas de upcycling (técnica de reutilização criativa de tecidos que seriam descartados em novas peças). Além do ensinamento, o Refoliar exibe um painel sobre arte e sustentabilidade e apresenta, ainda, um Desfile de Moda Sustentável com peças criadas a partir de resíduos têxteis. Segundo a idealizadora do Refoliar, Vanda Souza, o projeto evita o descarte de toneladas de tecidos em aterros, capacita mulheres e gera renda a partir da moda sustentável. “A gente crê que o resíduo pode contar novas histórias e gerar dignidade para quem o transforma. Começamos no Carnaval de Salvador, fazendo a coleta de abadás, pedindo que os foliões nos doassem. Depois iniciamos a capacitação das costureiras, mulheres em situação vulnerável, que aprendem a transformar tecido em uma outra peça. Essa é a oficina que nós vamos fazer aqui nos quatro dias na Bienal do Lixo”, detalha. Moradora da Barra e empresária, Ana Paula Soares, de 38 anos, fez questão de visitar a exposição. “É muito importante ter eventos como a Bienal do Lixo aqui em Salvador, ainda mais em nosso cartão postal, onde muitas pessoas, da cidade ou turistas, podem ver e visitar. Além de valorizar a arte, o evento faz a gente pensar mais sobre o cuidado com a cidade e mostra que aquilo que muitas vezes é descartado pode ganhar um novo significado, uma nova função”, afirma. Programação – As exposições, oficinas e desfiles acontecem no Farol da Barra, das 10h às 19h, e os painéis de diálogos e a mostra de cinema ocorrem das 9h30 às 16h40 na Associação Atlética da Bahia, na Rua Cesar Zama, 316. As atividades são gratuitas, reunindo diferentes linguagens artísticas a serviço da conscientização ambiental. Para conferir os detalhes da programação, incluindo horários, participantes, oficinas específicas e exibições, o público pode consultar o site oficial da Bienal do Lixo – www.bienaldolixo.com.br – e as redes sociais do projeto: @bienaldolixo. Créditos : Mateus Soares e Camila Vieira / Secom PMS
Gigantes da Amazônia podem ajudar cientistas na mudança climática
Uma enorme capacidade de capturar gás carbônico (CO₂), um importante papel na distribuição das chuvas no país e o atributo de guardar a história e os ciclos da Amazônia. Esses são alguns dos serviços prestados por árvores gigantes presentes no Norte do Brasil, especialmente o angelim-vermelho (Dinizia excelsa). Nesta sexta-feira (5), Dia da Amazônia, especialistas ouvidos pela Agência Brasil destacam a importância de se proteger essas espécies, que podem ultrapassar 80 metros de altura. A presença dessas árvores gigantes na Floresta Amazônica foi evidenciada pela ciência recentemente. Em 2019, foram encontrados os primeiros exemplares e, em 2022, a localização de um angelim-vermelho de 88,5 m de altura, equivalente a um prédio de 30 andares, revelou a maior árvore do Brasil, no município de Almeirim (PA). Ao todo, foram localizados 20 exemplares com mais de 70 m em uma área que se estende pelas proximidades do Rio Jari, na divisa dos estados do Pará e Amapá. Os pesquisadores que participaram da descoberta iniciaram imediatamente estudos para entender melhor as condições que levaram ao crescimento e todo o potencial desses angelins-vermelhos. Estudos “Essas árvores apresentam praticamente o dobro de tamanho das alturas médias das espécies amazônicas, que ficam em torno de 40 a 50 metros. Então, a gente está falando de árvores que absorvem o dobro de carbono e, portanto, podem contribuir o dobro para a regulação de clima”, explica o pesquisador do Instituto Federal do Amapá (IFAP) Diego Armando Silva. Embora os estudos ainda estejam em andamento, o pesquisador diz que algumas teses já apontam os caminhos a serem investigados. “Uma estimativa que a gente tem aqui é que uma única árvore dessa representa em torno de 80% da biomassa da parcela [área aproximada de 1 hectare] em que essa árvore está inserida.” Essa estimativa leva diretamente a uma relação de que um único indivíduo com essas características pode ser capaz de absorver 80% do CO₂ em toda essa área estudada. Mas, segundo Silva, ainda são necessários muitos estudos para a compreender melhor se essas árvores também emitem grandes volumes de gás carbônico, o quanto elas contribuem para captura e lançamento de água na atmosfera e até para confirmar a idade de cada uma.
Industriais buscam parceiros nos EUA para tentar reverter tarifaço
Industriais brasileiros articulam com empresários estadunidenses uma ação conjunta para pressionar o governo de Donald Trump a negociar o tarifaço com o governo do Brasil. Os industriais estão nos Estados Unidos em uma comitiva liderada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Participam da missão os dirigentes das federações das indústrias de Minas Gerais (FIEMG), Paraná (FIEP), Paraíba (FIEPB), Rio de Janeiro (FIRJAN), Rio Grande do Norte (FIERN), Santa Catarina (FIESC), Goiás (FIEG) e São Paulo (FIESP). “O setor industrial brasileiro articulou com parceiros americanos para que também pressionem o governo dos EUA em busca de um consenso para superar a crise. Estamos trabalhando juntos para que ambos os governos se sentem à mesa e encontrem uma saída para esse impasse”, afirmou o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe. Além dos representantes de associações de setores industriais, a missão internacional da CNI, que teve encontros em Washington, capital dos EUA, ontem e nesta quinta-feira (4), conta com aproximadamente 80 empresários brasileiros e 50 norte-americanos. “O resultado imediato é o fortalecimento da sinergia entre empresários e a construção de um trabalho conjunto que renderá frutos. Acredito que esse esforço em cada país será capaz de mobilizar forças políticas na direção correta para superarmos essa crise”, acrescentou Roscoe. De acordo com o presidente da FIEG, André Rocha, a intenção da ação dos empresários é a de conseguir reduzir as taxas ou aumentar a lista de produtos isentos do tarifaço. “Estamos tratando com as contrapartes, com a Câmara de Comércio Americana, a US Chamber, justamente para tentar reduzir as tarifas ou conseguir também uma nova lista de exceção”. Enfrentar equívocos políticos O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que a missão busca estabelecer critérios técnicos para a negociação, mas também combater equívocos de ordem política entre os dois países. “O que nós queremos aqui é garantir uma porta de diálogo, garantir que uma mesa de negociação possa existir e que nessa mesa os argumentos técnicos, comerciais e econômicos possam ter a sua preferência, possam ter a sua importância e, com isso, nós criarmos alternativas para enfrentar possíveis entendimentos ou equívocos que vêm da ordem política ou geopolítica”, disse.


